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opoetadebicicleta


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Conversa de novo

 

 

Não vi nenhum rio passar

ao largo da minha rua

velhos poetas não vi um grão

à margem da paisagem turva

como fazer poesia

sem suas imagens tardias?

Velho poeta

leio sua letra fria

àqueles que não são velhos

guardam esse frescor de letra ardida

que nem são mesmos os velhos

serão um dia

essa planta ardia

essa de viver plantado mágico

sem reposta na filosofia

a flor velho poeta

nem a mesma nem poesia

o tempo não me distancia

perfume velho

cheiro antigo

nem importa se lap-top

ou página vazia

o mesmo erro o mesmo verso

nossa questão de intriga

velho poeta serei eu

se a lida findar o dia



Escrito por Sérgio Mitre às 01h33
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Vivida

 

 

as mínimas coisas que as coisas sãos

são minhas

 

coisas onde as coisas dizem nãos

tantas coisas sãos

.

.

.



Escrito por Sérgio Mitre às 00h37
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Carnavalizar

 

 

vida muito mais que mídia

mais que folhas, que jornal

a vida muito mais folia

é dentro o carnaval

 

onde o coração bacana

a canção floresce

a gente é humana

 

a flor nasceu de um laço

num traço desci cachoeira

que perda de tempo esse rastro

se não folia vida inteira

 

 

 



Escrito por Sérgio Mitre às 02h06
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A fim de

 

a minha alegria

é que tenho feito poesia

escondida no meu hd

escondida de você

feita e viva

sem saber pra quê

comò a vida

pela vida

toda lida

e rimas afins

 



Escrito por Sérgio Mitre às 00h47
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O bem entender

 

 

Se todas as coisas fossem vanguarda

nossa vida valia nada

 

Se todos nossos sonhos fossem verdade

acordaríamos sem asas

 

Se todos fossemos nosso próprio rosto

essa cara escarrada

 

Se fosse o todo bastava a estrada

vivia o gosto



Escrito por Sérgio Mitre às 22h42
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Cachaça

 

 

olho para a cara triste do poema

que me salta aos olhos

papel branco sem riscados

 

não quero arriscar, ali tem um machucado

 

medo do espelho esconder a senha

da alma atada à lenha e fogo espesso

todo no papel, me esqueço

 

 

 



Escrito por Sérgio Mitre às 21h36
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Sísifo

 

 

nada

me recuso a escrever o não

nas escadas

 

nada

me recluso no velho vão

a luz apaga

 

nada

recurso de então

sorver a mágoa

 

nada

nonada em vozeirão

degrau da palavra




Escrito por Sérgio Mitre às 01h19
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O dilema do cego

.

.

os olhos já não podem ver

que ninguém se veste

que ninguém remete

à alma que sobrou do ser

 

olhos em liquidação

não podem ser comprados

sim podem ser centrados

perceber a confusão

.

.



Escrito por Sérgio Mitre às 21h42
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Arremedo intenso

 

 

ídolos se moldam no medo

da vida, de perder, de viver

até o fenecer

 

pulso na repulsa

rebeldia como astúcia

morte no final

como qualquer angústia

 

não se vence o medo de viver

a morte nos aproxima

revela segredos de não-ser

 



Escrito por Sérgio Mitre às 00h41
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Árido

.

.

.

amor dispensa comentário

dispensa o hálito

qualquer contrário

imagem rara que não se vê

 

amor se enxerga no frágil

desamarrado

sem ser estável

o tempo todo momento ágil

 

amor é o meu amargo

gosto contrário

nem é árido

tem muito de enxergar você

.

.

.



Escrito por Sérgio Mitre às 03h27
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Contra reforma

.

.

ainda que acabem com o trema

ninguém tira os pingos do poema

.

.

 

 



Escrito por Sérgio Mitre às 00h36
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Insonha

 

 

A gente sonha um dia

Escrever como poesia

Antever o verso fácil

Vestir no verso harmonia

 

A gente sonha a vida

Perde a dor sofrida

Desfaz o laço com o rastro

Sem se converter espaço

 

A gente sonha enfim

Aquele lugar feito pra mim

A cama boa, amor espera

O verso como primavera

 

04/07/11



Escrito por Sérgio Mitre às 01h49
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Se posso requerer minhas estradas...

 

 

Se posso requerer minhas estradas

Gosto de combinar palavras

Juntá-las assim por puro gosto

Abrir um sentimento exposto:

Letras em páginas marcadas

De sangue em desatino, torturadas

As mãos cansadas em sofreguidão

Páginas marcadas como risco em coração

 

Vai a pena livre a desprender sentidos

Requentar velhos sonhos dormidos

Abrir a alma, aplacar martírios

Testemunhar a dor em horizontes frios...

E ao rimar o acaso à alegria

Lua crescente em firmamento de poesia

Requerer o brilho que o amor instala

Rimas de agonia e êxtase a poesia exala

 

Se posso requerer estradas

De poesia, de amor pelas palavras

Realidade abriga futuro incerto

Um coração sem desprender do verso

Continua tremendo em páginas

Mesmo se regadas em lágrimas

São mais que a página descoberta

Decido então seguir a estrada certa

Abrir o peito sem receio à sina:

Viver poeta oculto transcrevendo a vida.



Escrito por Sérgio Mitre às 11h52
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Insônidão

 

 

A mente fica amante

A manta amanta frio

À par carece

De sentidos

 

Dissentidos

Calor sem abrigo

Abraço ninho

Feito travesseiro

 

A mente fica amante

A manta amanta frio

O sono não vem

Sem colo igual menino



Escrito por Sérgio Mitre às 00h13
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Receita

 

 

Gosto de escrever

Gosto de você

Gosto da história

 

Tudo está feito

Escrito no meu peito

Vivendo memória

 

Dei meu jeito

Investi no meio

Virei de volta

 

Amor estava certo

O caminho aberto

À nossa moda

 



Escrito por Sérgio Mitre às 23h58
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