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A fim de

 

a minha alegria

é que tenho feito poesia

escondida no meu hd

escondida de você

feita e viva

sem saber pra quê

comò a vida

pela vida

toda lida

e rimas afins

 



Escrito por Sérgio Mitre às 00h47
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O bem entender

 

 

Se todas as coisas fossem vanguarda

nossa vida valia nada

 

Se todos nossos sonhos fossem verdade

acordaríamos sem asas

 

Se todos fossemos nosso próprio rosto

essa cara escarrada

 

Se fosse o todo bastava a estrada

vivia o gosto



Escrito por Sérgio Mitre às 22h42
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Cachaça

 

 

olho para a cara triste do poema

que me salta aos olhos

papel branco sem riscados

 

não quero arriscar, ali tem um machucado

 

medo do espelho esconder a senha

da alma atada à lenha e fogo espesso

todo no papel, me esqueço

 

 

 



Escrito por Sérgio Mitre às 21h36
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Sísifo

 

 

nada

me recuso a escrever o não

nas escadas

 

nada

me recluso no velho vão

a luz apaga

 

nada

recurso de então

sorver a mágoa

 

nada

nonada em vozeirão

degrau da palavra




Escrito por Sérgio Mitre às 01h19
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O dilema do cego

.

.

os olhos já não podem ver

que ninguém se veste

que ninguém remete

à alma que sobrou do ser

 

olhos em liquidação

não podem ser comprados

sim podem ser centrados

perceber a confusão

.

.



Escrito por Sérgio Mitre às 21h42
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Arremedo intenso

 

 

ídolos se moldam no medo

da vida, de perder, de viver

até o fenecer

 

pulso na repulsa

rebeldia como astúcia

morte no final

como qualquer angústia

 

não se vence o medo de viver

a morte nos aproxima

revela segredos de não-ser

 



Escrito por Sérgio Mitre às 00h41
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Árido

.

.

.

amor dispensa comentário

dispensa o hálito

qualquer contrário

imagem rara que não se vê

 

amor se enxerga no frágil

desamarrado

sem ser estável

o tempo todo momento ágil

 

amor é o meu amargo

gosto contrário

nem é árido

tem muito de enxergar você

.

.

.



Escrito por Sérgio Mitre às 03h27
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Contra reforma

.

.

ainda que acabem com o trema

ninguém tira os pingos do poema

.

.

 

 



Escrito por Sérgio Mitre às 00h36
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Insonha

 

 

A gente sonha um dia

Escrever como poesia

Antever o verso fácil

Vestir no verso harmonia

 

A gente sonha a vida

Perde a dor sofrida

Desfaz o laço com o rastro

Sem se converter espaço

 

A gente sonha enfim

Aquele lugar feito pra mim

A cama boa, amor espera

O verso como primavera

 

04/07/11



Escrito por Sérgio Mitre às 01h49
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Se posso requerer minhas estradas...

 

 

Se posso requerer minhas estradas

Gosto de combinar palavras

Juntá-las assim por puro gosto

Abrir um sentimento exposto:

Letras em páginas marcadas

De sangue em desatino, torturadas

As mãos cansadas em sofreguidão

Páginas marcadas como risco em coração

 

Vai a pena livre a desprender sentidos

Requentar velhos sonhos dormidos

Abrir a alma, aplacar martírios

Testemunhar a dor em horizontes frios...

E ao rimar o acaso à alegria

Lua crescente em firmamento de poesia

Requerer o brilho que o amor instala

Rimas de agonia e êxtase a poesia exala

 

Se posso requerer estradas

De poesia, de amor pelas palavras

Realidade abriga futuro incerto

Um coração sem desprender do verso

Continua tremendo em páginas

Mesmo se regadas em lágrimas

São mais que a página descoberta

Decido então seguir a estrada certa

Abrir o peito sem receio à sina:

Viver poeta oculto transcrevendo a vida.



Escrito por Sérgio Mitre às 11h52
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Insônidão

 

 

A mente fica amante

A manta amanta frio

À par carece

De sentidos

 

Dissentidos

Calor sem abrigo

Abraço ninho

Feito travesseiro

 

A mente fica amante

A manta amanta frio

O sono não vem

Sem colo igual menino



Escrito por Sérgio Mitre às 00h13
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Receita

 

 

Gosto de escrever

Gosto de você

Gosto da história

 

Tudo está feito

Escrito no meu peito

Vivendo memória

 

Dei meu jeito

Investi no meio

Virei de volta

 

Amor estava certo

O caminho aberto

À nossa moda

 



Escrito por Sérgio Mitre às 23h58
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Insone nada

 

 

Cada gole de cerveja

Fico mais sentimental

O coração no peito

Rebate no seio carnaval

 

Nesse baque samba

Pela janela voa

Entontece a manhã

Semblante sonha

 

E nesse olhar o nada

A manhã perspectiva

Amanhã sensitivo

Reveste a madrugada



Escrito por Sérgio Mitre às 23h52
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Retrato no tempo estático

Para o seu Dedé

 

 

Meu irmão e eu é um retrato

Feito num tempo não casado

Com tanto amor quanto cardo

Grudado e reunido num menino

Unificando famílias

Tanta boa gente diferente

Num jardim de flores e amigos

 

Meu irmão e eu é um retrato

Tangência fria e ágil

Quando mais se distancia

Mais a curva denuncia o alvo

 

Meu irmão e eu e mais um tanto

Vamos nesse encontro de carmas

Cercado e cardo de tão amável

Cheio de pompa e circunstância

Num contexto claro

Frutos numa contradança

E amor em qualquer lente frágil



Escrito por Sérgio Mitre às 01h42
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Apocalipse

.

.

.

O mundo acabou hoje, às seis e meia da tarde.

 

O amor é uma coisa que se sente, não se sabe.

 

Meu bem quis saber de mim o que nela arde.

 

Há carinhos que não desbotam. Ternuras que trago em mim. Uma gratidão que me traz aqui. Do seu lado, no seu seio.

 

Único que pode redimir.

 

Meu amor então transmutou-se em holocausto e os olhos dela eram a única coisa além do ato.

 

Muito além do tato, dispersam palavras se percebe a vida.

 

O beijo foi alento que se fez fato. Momento de parar o tempo.

 

E a praça transformada em espaço mágico em cada canto se encantou. Praça lotada, massa dispersa a ver o show. Além do alcance.

 

Num repente tudo pára, não há som, não há nada. Dois corpos se encontrando almas num segundo que não passa.

 

Carinho nos corpos. No coração, massagem..

 

O mundo acabou às seis e meia da tarde.

 

Recomeçou em outra contagem.

 



Escrito por Sérgio Mitre às 01h56
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